Opinódromo (espaço para opinar)

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Opinião (4/11/2019)

A opinião para o opinodromo é dirigida a todas as escolas e profissionais da educação. Diariamente crianças são humilhadas e agredidas por outras crianças. Como educadores que somos, não podemos dar as costas para estas situações, que não podem de forma alguma ser consideradas corriqueiras ou naturalizadas. Ou afinal educamos nossos alunos apenas a partir de conteúdos descontextualizados, visando metas, ou para a vida?
Que experiências queremos que nossos filhos vivenciem no dia a dia da escola? Que relações queremos que estabeleçam?
As crianças não humilham as outras porque assim são ou porque se acham no direito de. Tem muitas vezes o silêncio ou a omissão dos encarregados da educação ou dos professores. Educar as crianças para o respeito às diferenças, é necessário. Quem quer que seja a pessoa mais próxima e responsável pela formação da personalidade de uma criança, precisa falar sobre…, chamar a atenção, sensibilizar o olhar, favorecer a proximidade, a escuta e a relação para não contribuirmos e alimentarmos diferentes formas de discriminação.
As escolas têm espaço para estas reflexões e para práticas que possibilitem se colocar no lugar do outro, se relacionar com o outro, falar sobre, o que pode ser desenvolvido em grupo, no coletivo, na sala de aula, no recreio, com as crianças e adolescentes no interior de qualquer aula, onde a situação aflore. Como educadores não podemos considerar menor ou corriqueiros atos de discriminação, seja em qual sentido for, em relação a diferença social, questões de género, de cor, ou mesmo de alguma dificuldade ou deficiência apresentada. A empatia é a capacidade de compreender o que o outro está sentindo ao se colocar em seu lugar. A falta de empatia nas crianças e adolescentes esta estreitamente relacionada a ausência do corpo X corpo, do corpo X espaço e de se considerar as relações interpessoais no processo educacional em diferentes aspectos, assim como a falta de mediação adequada. Brigas ou agressões solucionadas com punições, faz com que a criança não pense no outro ou no motivo do desentendimento, mas apenas nas consequências para si. Acreditando aqui que todo professor ou profissional da educação não se restrinja apenas a sua área de conhecimento ou setor, mas que seja eticamente um EDUCA A DOR.

Celida Salume
Mãe e Educadora

E-mail dirigido a todos os eleitos da União de Freguesias Horta das Figueiras/Malagueira (Évora)

14/6/2019

Exmos senhores eleitos da União de Freguesias de Horta das Freguesias/Malagueira

Permitam-me que comece esta missiva com três curtas citações de um pedagogo italiano:
  • Os serviços  pensados para os adultos que votam não são bons para as crianças.

  • As crianças são um indicador sensível: se numa cidade se vêm crianças que jogam, passeiam sozinhas, significa que é uma cidade sã; se não é assim, é sinal de uma cidade doente;
  • É preciso devolver às crianças a possibilidade de jogar, de adquirir a experiência tão necessária à socialização espontânea, de viver experiências autónomas.

Francesco Tonucci, La ciudad de los niños  daqui

 

O motivo é o horário aleatório da biblioteca do edifício da Junta da Horta das Figueiras. Um horário com a ressalva que pode sofrer alterações serve quem? Constatei, desde janeiro de 2019, que a excepcional ressalva é sistematicamente colocada em prática.

horario biblioteca.JPG

E qual a importância disto?
Vamos por partes.
E regressamos às citações. Agora do fantástico e inspirador documento que a cidade de Évora há muito subscreveu: A Carta das Cidades Educadoras daqui.
Do preâmbulo:
“Hoje mais do que nunca as cidades, grandes ou pequenas, dispõem de inúmeras possibilidades educadoras, mas podem ser igualmente sujeitas a forças e inércias deseducadoras. De uma maneira ou de outra, a cidade oferece importantes elementos para uma formação integral: é um sistema complexo e ao mesmo tempo um agente educativo permanente, plural e poliédrico, capaz de contrariar os fatores deseducativos”.

“Deve ocupar-se prioritariamente com as crianças e os jovens, mas com a vontade decidida de incorporar pessoas de todas as idades, numa formação ao longo da vida”.

“ as crianças e os jovens não são mais protagonistas passivos da vida social e, por consequência, da cidade. A Convenção das Nações Unidas de 20 de Novembro de 1989, que desenvolve e considera constrangedores os princípios da Declaração Universal de 1959, tornou-os cidadãos e cidadãs de pleno direito ao outorgar-lhes direitos civis e políticos. Podem associar-se e participar em função do seu grau de maturidade.”

Artigo 4º(excerto)

As políticas municipais de carácter educativo devem ser sempre entendidas no seu contexto mais amplo inspirado nos princípios de justiça social, de civismo democrático, da qualidade de vida e da promoção dos seus habitantes.

Artigo 5º(excerto)

“Os municípios deverão exercer com eficácia as competências que lhes cabem em matéria de educação.”

Artigo 6º (excerto)

“Com o fim de levar a cabo uma atuação adequada, os responsáveis pela política municipal duma cidade deverão possuir uma informação precisa sobre a situação e as necessidades dos seus habitantes. Com este objetivo, deverão realizar estudos que manterão atualizados e tornarão públicos, e prever canais abertos (meios de comunicação) permanentes com os indivíduos e os grupos que permitirão a formulação de projetos concretos e de política geral. Da mesma maneira, o município face a processos de tomada de decisões em cada um dos seus domínios de responsabilidade, deverá ter em conta o seu impacto educador e formativo.”

Artigo 13º (excerto)

Vigiará a que se estabeleça um equilíbrio entre a necessidade de proteção e a autonomia necessária à descoberta.

Posto isto: 

Desde Janeiro de 2019 que 3 a 5 crianças, por forma a promover a sua autonomia e responsabilidade (e na concordância com os excertos supra), saem da escola sozinhas da Escola para a Biblioteca da Junta. Fizeram-no regularmente uma vez por semana e com conhecimento (também por escrito) de todos os intervenientes. Biblioteca, escola e pais. Cerca de 150 metros separam as duas instalações.

A ida destas crianças para a Biblioteca proporcionou-lhes (para além das razões já enunciadas) a realização de um trabalho de grupo em boa hora solicitado pela escola num ambiente de grande privilégio: pelo espaço, pelo ambiente de autonomia , mas sobretudo pela forma entusiástica, séria e muito competente do professor bibliotecário Pedro Branco. Foi com enorme satisfação que todos fomos vendo evoluindo o trabalho das crianças e a crescimento da autonomia das crianças. Porventura pautado aqui e ali com algumas cenas de alguma irrequietude das crianças? Sim. O normal, tanto quanto julgo saber. As crianças depois de uma longa e encerrada jornada de “trabalho” precisam de extravasar emoções. É verdade que somos cada vez menos tolerantes para isso? É. Mas isso são outras histórias.

Durante este lapso de tempo várias foras as situações que a Biblioteca, e sempre dentro do seu horário, fechou as suas portas a poucas horas/minutos! da chegada das crianças. Por uma vez houve um risco de 3 crianças ficarem  “fechadas na rua” entre a escola e a biblioteca.  A justificação de sempre foram compromissos de última hora e inadiáveis. Na sequência dos múltiplos e inesperados encerramentos da biblioteca dei conta dos problemas  e riscos daí decorrentes. E da falta de respeito pelas crianças-cidadãs.

É após a manifestação da minha insatisfação com o encerramento aleatório que surge o upgrade ao horário: “estes horários poderão sofrer alterações consoante as necessidades de serviço”.
Os senhores eleitos imaginam outras repartições e empresas com a mesma ressalva? Entendo que os recursos são escassos, Nestas circunstâncias pede-se mais engenho, respeito e bom senso. Como ? Se faltam recursos para assegurar o cumprimento de um horário que se diminua o mesmo. Do género de 2ª a 6ª feira das 16h às 18h. Ou 2ª e 4ª e 6ª das 9h às 11h. Quem melhor que a Junta para propor um horário que possa cumprir e que seja  compaginável com os seus recursos e as necessidades da população? Sei bem , por experiência própria, que os recursos não são infinitamente elásticos.
É pois isso que reclamo: a afixação de um horário sem ressalvas, com o qual a população possa contar. No fundo: um compromisso com as pessoas do bairro. Ou não fosse a junta um órgão de  proximidade.
E por último não posso deixar ainda de dizer-vos o seguinte:

  • As pessoas, nomeadamente as crianças, precisam de uma boa e funcional biblioteca. Assim como o seu inverso;
  • Durante um ano escolar eu próprio, e a título voluntário, dei “apoio ao estudo” (como detesto esta terminologia mas não encontro outra) a várias crianças. Tirando agora esta experiência com os nossos filhos, nunca testemunhei tantas crianças e de tão diferentes origens (a maioria delas excluídas!) na biblioteca que sistematicamente encontro vazia (experiência pessoal).
  • O site da União de Freguesias devia conter:
    • o nome e os emails de todos os eleitos da Freguesia;
    • as actas publicadas a tempo e horas bem como a sua divulgação na página do FaceBook
    • Porventura estranharão um último pedido: a colocação dos programas eleitorais de todas as forças concorrentes à Junta nas últimas eleições. Estranharão menos aqueles que já conhecem o que se vai fazendo (preparando) a 150 m do Edifico da Junta. Convido-vos a visitar o site da Comunidade Escolar da Horta das Figueiras AQUI. Acolheremos ,de bom grado, os vossos contributos. Porque, como é enunciado na Carta das Cidades Educadoras: “Artigo 1º(excerto)

“Todos os habitantes de uma cidade terão o direito de desfrutar, em condições de liberdade e igualdade, os meios e oportunidades de formação, entretenimento e desenvolvimento pessoal que ela lhes oferece. O direito a uma cidade educadora é proposto como uma extensão do direito fundamental de todos os indivíduos à educação”

Na sincera e cidadã expectativa que possa ter contribuído para o melhoramento da vossa/nossa Junta/comunidade/cidade, apresento os meus melhores cumprimentos,

Fernando Moital
pai e cidadão.

Os direitos/deveres dos encarregados de educação

Excerto de um artigo que vale a pena ler na íntegra.

“Quando os pais participam em reuniões ou as oriediario do minhontam, redigem relatórios ou atas, estabelecem contactos com as autoridades escolares, usando, assim, certa influência na tomada de decisões, estão também a aprender a exercer o seu poder político-social. Nesta medida, a participação dos pais é, do mesmo modo e em si mesma, uma forma de se educar ou de se formar a si próprios.
A escola é a instituição ideal para o exercício da cidadania. Ela é uma instituição comunitária ao alcance direto dos pais. Estabelece, pois, uma relação de vizinhança com as comunidades que serve.

 

O envolvimento familiar na escola também ajuda a melhorar a expetativa e a motivação dos docentes e dos outros agentes educativos. A família é um dos fatores de grande peso no sucesso educativo dos filhos.

Os melhores resultados escolares são obtidos, regra geral, por estudantes pertencentes a famílias que se esforçam por lhes estimular uma série de posturas, de virtudes humanas, de métodos racionais de estudo, bem como de um regulamento com horas para estudar, para brincar e para outras atividades de lazer.’

15 fev 2018

O artigo todo aqui (Diário do Minho)
FALTA DE FUNCIONÁRIOS E ESCOLAS

s1
Há um ano, ou mais, que em Évora os problemas das educação se parecem restringir à falta de funcionários. Atiram-se culpas e fecham-se escolas. Eu acho um tema importante que não se deve resumir a mais ou menos umas dezenas de funcionários.
s2A forma como as escolas têm evoluído parece ter um paralelo com a forma como “resolvemos” os problemas do trânsito. Há filas por todo o lado? COnstruam-se mais estradas. Solução única : afectar, de forma crescente, mais recursos. A qualquer custo. No caso das estradas gastar o máximo. No caso dos funcionários, quanto menos se pagar às pessoas melhor!
Que funções desempenham os funcionários? COmo eles afectam o seu tempo? Creio que uma boa parte do tempo afectam-no à limpeza e à vigilância das crianças (mediação de conflitos muitas vezes).
Mas por que é que as escolas estão sempre tão sujas? Não há uma forma de evitar tanta sujidade? Investir na prevenção de resíduos em vez da limpeza não teria melhores resultados para todos? 

s5A vigilância e a gestão de conflitos deve ocupar outra parte do tempo dos funcionários. Para além de ser desgastante e muitas vezes servir de pouco. Sara-se um conflito ali, começa outro logo a seguir acolá. Entre tantas razões para isso acontecer (conflituar é normal entre seres humanos, mas não em permanência!) julgo que a forma paupérrima, diria estupidificadora, como se organizam os recreios muito contribuem para isso.
s3Quero crer que recreios mais DECENTES ajudariam em muito a reduzir muitos dos conflitos.
Da mesma forma que não é construindo mais estradas que se resolvem os crescentes problemas de tráfego…

Fernando Moital (24/9/2018)

 

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