Perfil dos Alunos à Saída da Escolaridade Obrigatória – Notas

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Documento na íntegra aqui
O QUE É O PERFIL DOS ALUNOS?
“O Perfil dos Alunos configura o que se pretende que os jovens alcancem no final da
escolaridade obrigatória, sendo, para tal, determinante o compromisso da escola
e de todos os que lá trabalham, a ação dos professores e o empenho das famílias e encarregados de educação. Docentes, gestores, decisores políticos e também todos
os que, direta ou indiretamente, têm responsabilidades na educação encontram, neste
documento, a matriz que orienta a tomada de decisão no âmbito do desenvolvimento
curricular, consistente com a visão de futuro definida como relevante para os jovens
portugueses do nosso tempo.”
NOTA 1
“Os sete pilares que Edgar Morin considera numa
cultura de autonomia e responsabilidade:
edgar_morin_foto11) prevenção do conhecimento contra o erro e a ilusão;
2) ensino de métodos que permitam ver o contexto e o conjunto, em lugar do conhecimento fragmentado;
3) o reconhecimento do elo indissolúvel entre unidade
e diversidade da condição humana;
4) aprendizagem duma identidade planetária considerando a humanidade como comunidade de destino;
5) exigência de apontar o inesperado e o incerto como marcas do nosso tempo;
6) educação para a compreensão mútua entre as pessoas, de pertenças e culturas diferentes;
7) e desenvolvimento de
uma ética do género humano, de acordo com uma cidadania inclusiva”
NOTA 2
“As humanidades hoje têm de ligar educação, cultura e ciência, saber e saber fazer.
O processo da criação e da inovação tem de ser visto relativamente ao poeta, ao
artista, ao artesão, ao cientista, ao desportista, ao técnico – em suma à pessoa
concreta que todos somos.”
NOTA 3
Princípios
“Estes são os princípios que orientam, justificam e dão sentido ao Perfil dos Alunos à
Saída da Escolaridade Obrigatória.
A. Base humanista – A escola habilita os jovens com saberes e valores para a construção
de uma sociedade mais justa, centrada na pessoa, na dignidade humana e na ação sobre o mundo enquanto bem comum a preservar.
B. Saber – O saber está no centro do processo educativo. É responsabilidade da escola
desenvolver nos alunos a cultura científica que permite compreender, tomar
decisões e intervir sobre as realidades naturais e sociais no mundo. Toda a ação
deve ser sustentada por um conhecimento sólido e robusto.
C. Aprendizagem – As aprendizagens são essenciais no processo educativo. A ação
educativa promove intencionalmente o desenvolvimento da capacidade de
aprender, base da educação e formação ao longo da vida.
D. Inclusão – A escolaridade obrigatória é de e para todos, sendo promotora de
equidade e democracia. A escola contemporânea agrega uma diversidade
de alunos tanto do ponto de vista socioeconómico e cultural como do ponto
de vista cognitivo e motivacional. Todos os alunos têm direito ao acesso
e à participação de modo pleno e efetivo em todos os contextos educativos.
E. Coerência e flexibilidade – Garantir o acesso à aprendizagem e à participação
dos alunos no seu processo de formação requer uma ação educativa coerente
e flexível. É através da gestão flexível do currículo e do trabalho conjunto
dos professores e educadores sobre o currículo que é possível explorar temas
diferenciados, trazendo a realidade para o centro das aprendizagens visadas.
F. Adaptabilidade e ousadia – Educar no século XXI exige a perceção de que é
fundamental conseguir adaptar-se a novos contextos e novas estruturas,
mobilizando as competências, mas também estando preparado para atualizar
conhecimento e desempenhar novas funções.
G. Sustentabilidade – A escola contribui para formar nos alunos a consciência
de sustentabilidade, um dos maiores desafios existenciais do mundo
contemporâneo, que consiste no estabelecimento, através da inovação política,
ética e científica, de relações de sinergia e simbiose duradouras e seguras entre
os sistemas social, económico e tecnológico e o Sistema Terra, de cujo frágil e
complexo equilíbrio depende a continuidade histórica da civilização humana.
H. Estabilidade – Educar para um perfil de competências alargado requer tempo e
persistência. O Perfil dos Alunos à Saída da Escolaridade Obrigatória permite
fazer face à evolução em qualquer área do saber e ter estabilidade para que o
sistema se adeque e produza efeitos.”
NOTA 4
Visão
A Visão de aluno integra desígnios que se complementam, se interpenetram e se
reforçam num modelo de escolaridade que visa a qualificação individual e a cidadania
democrática.
Pretende-se que o jovem, à saída da escolaridade obrigatória, seja um cidadão:
• munido de múltiplas literacias que lhe permitam analisar e questionar
criticamente a realidade, avaliar e selecionar a informação, formular
hipóteses e tomar decisões fundamentadas no seu dia a dia;
• livre, autónomo, responsável e consciente de si próprio e do mundo que o
rodeia;
• capaz de lidar com a mudança e com a incerteza num mundo em rápida
transformação;
• que reconheça a importância e o desafio oferecidos conjuntamente
pelas Artes, pelas Humanidades e pela Ciência e a Tecnologia para a
sustentabilidade social, cultural, económica e ambiental de Portugal e do
mundo;
• capaz de pensar crítica e autonomamente, criativo, com competência de
trabalho colaborativo e com capacidade de comunicação;
• apto a continuar a aprendizagem ao longo da vida, como fator decisivo do
seu desenvolvimento pessoal e da sua intervenção social;
• que conheça e respeite os princípios fundamentais da sociedade democrática
e os direitos, garantias e liberdades em que esta assenta;
• que valorize o respeito pela dignidade humana, pelo exercício da cidadania
plena, pela solidariedade para com os outros, pela diversidade cultural
e pelo debate democrático;
• que rejeite todas as formas de discriminação e de exclusão social
NOTA 5
Valores
Todas as crianças e jovens devem ser encorajados, nas atividades escolares, a desenvolver e a pôr em prática os valores por que se deve pautar a cultura de escola,
a seguir enunciados.
Responsabilidade e integridade – Respeitar-se a si mesmo e aos outros; saber
agir eticamente, consciente da obrigação de responder pelas próprias ações;
ponderar as ações próprias e alheias em função do bem comum.
Excelência e exigência – Aspirar ao trabalho bem feito, ao rigor e à superação;
ser perseverante perante as dificuldades; ter consciência de si e dos outros;
ter sensibilidade e ser solidário para com os outros.
Curiosidade, reflexão e inovação – Querer aprender mais; desenvolver o
pensamento reflexivo, crítico e criativo; procurar novas soluções e aplicações.
Cidadania e participação – Demonstrar respeito pela diversidade humana e
cultural e agir de acordo com os princípios dos direitos humanos; negociar a
solução de conflitos em prol da solidariedade e da sustentabilidade ecológica;
ser interventivo, tomando a iniciativa e sendo empreendedor.
Liberdade – Manifestar a autonomia pessoal centrada nos direitos humanos,
na democracia, na cidadania, na equidade, no respeito mútuo, na livre
escolha e no bem comum.
Última actualização: 27/5/2018